Quem pesquisa no Google por «teste de software de contabilidade» ou «teste de programa de contabilidade» quase sempre cai em sites de comparação alemães. Lá, quem ganha é sevdesk, Lexware Office, WISO MeinBüro, BuchhaltungsButler ou Papierkram. Todos softwares sólidos — para a Alemanha. Como autônomo suíço, porém, você não vai longe com esses programas: o problema não são as funções, é o sistema tributário. O que na Alemanha é o "Freiberufler" (profissional liberal), aqui na Suíça é o autônomo — só que ele lida com IVA em vez de imposto sobre vendas alemão. Os usuários alemães têm razão em gostar dessas ferramentas, mas nem o plano mais barato serve de nada se, no final, não sai uma fatura QR e o suporte não sabe responder perguntas sobre IVA suíço.
Antes de olharmos cada ferramenta individualmente, aqui vai a checklist. Um software foi feito para o mercado alemão se você encontrar estes termos no site dele:
- EÜR (Einnahmen-Überschuss-Rechnung): a forma alemã de apuração de lucro — a apuração suíça de lucro para a declaração de impostos funciona de outro jeito.
- Interface ELSTER: o canal direto com a Receita alemã. Na Suíça, você precisa, em vez disso, da declaração de IVA para o portal eletrônico da ESTV.
- Conforme a GoBD: normas contábeis alemãs. Na Suíça, vale o Código das Obrigações.
- Exportação DATEV: o formato dos contadores alemães. Os fiduciários suíços não trabalham com isso.
- Preços só em euro: se você não encontra CHF na página de preços, a resposta já está clara.
- Imposto sobre vendas de 19% / 7%: as alíquotas alemãs. O IVA suíço tem 8,1%, 2,6% e 3,8% — e, acima de tudo, a fatura QR como parte de pagamento, que nenhum programa alemão gera.
- Suporte para o sistema tributário alemão: as equipes de suporte são treinadas em imposto sobre vendas e ELSTER, não em IVA e fatura QR.
O sevdesk aparece bem no topo de quase toda comparação alemã, e os planos (entre eles «sevdesk Rechnung» e «sevdesk Buchhaltung») são justos para os padrões alemães. Mas a própria empresa admite isso abertamente no site suíço: «o sevdesk é direcionado a autônomos e empresas sediados na Alemanha ou na Áustria.» Sem fatura QR, sem alíquotas suíças de IVA, sem declaração para a ESTV. O suporte também fica na Alemanha e não conhece o IVA suíço. Se alguém recomendar esse programa para a sua empresa individual suíça, essa pessoa leu o teste, mas não leu a letra miúda.
O Lexware Office é provavelmente o software de contabilidade online mais conhecido da Alemanha — o nome antigo, lexoffice, ainda aparece em muitos testes. A funcionalidade impressiona: captura automática de comprovantes, conexão com a conta empresarial (a Lexware até oferece uma própria), folha de pagamento, acesso para o contador. Mas o suporte não consegue te ajudar com dúvidas sobre o IVA suíço — simplesmente porque não é para isso que ele existe. E, acima de tudo: o Lexware Office trabalha em euro e segue o sistema tributário alemão, com ELSTER e EÜR. Uma fatura QR suíça em conformidade ou uma declaração de IVA para a ESTV, você não consegue com o Lexware. Minha avaliação: ótimo programa, país errado.
O WISO MeinBüro, da Buhl, existe há uma eternidade, em versão desktop e web, com tudo incluído: emissão de faturas, livro-caixa, gestão de estoque, formulários fiscais. Aqui também vale a regra: o WISO MeinBüro é voltado para a Receita alemã. Para profissionais liberais alemães, é uma solução consagrada; para autônomos suíços, simplesmente não foi feito. Se você é suíço e vir o WISO MeinBüro em algum teste alemão, pode passar direto para o próximo.
O BuchhaltungsButler tem um foco interessante: automação máxima. Os comprovantes são vinculados automaticamente às transações bancárias, e as sugestões de lançamento vêm por IA. Sinceramente, gosto bastante desse conceito — na Magic Heidi, apostamos na mesma ideia, só que para a Suíça. Mas o BuchhaltungsButler é claramente voltado para empresas alemãs (GoBD, exportação DATEV, imposto sobre vendas alemão). Vale a pena conferir se você tem uma pequena empresa na Alemanha; na Suíça, não é uma opção.
O Papierkram (sim, a ferramenta se chama mesmo assim — "burocracia", em alemão) é voltado para profissionais liberais e freelancers alemães, e é especialmente forte no controle de horas: registrar horas, associar a projetos, transferir direto para a fatura. Os preços também são justos, e existe até uma versão gratuita. Mas, como nos outros casos, vale a regra: o Papierkram trabalha com a EÜR alemã e o imposto sobre vendas alemão. O nome, aliás, é bem sugestivo — exatamente a "burocracia" que essa ferramenta resolve para os alemães, a Magic Heidi resolve para os suíços.
Além disso, existem ferramentas só de faturamento, como o BillingEngine: enxutas, baratas, mas só para emitir faturas — sem contabilidade, sem declaração de IVA, sem registro de despesas. Para um autônomo suíço que precisa de uma apuração de lucro limpa para a declaração de impostos no fim do ano, uma ferramenta só de faturamento resolve apenas metade do problema: a outra metade (despesas, comprovantes, IVA) você acaba fazendo de novo no Excel.
Resumindo: um campeão de teste alemão é tão útil para você, como suíço, quanto um contador alemão — simpático, mas fora do assunto. Foi por isso que escrevi esta comparação: para que exista, sobre o tema software de contabilidade, um teste que realmente valha para a Suíça.